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Será 2021 um bom ano para a Gráfica? E depois?

por Hamilton Costa ceo Inkish Brasil e América do Sul

Definitivamente, o legado da Covid-19 em 2020 nos deixou um mundo ainda com muitas incertezas. Primeiro com a própria doença, seus novos ciclos e seus reflexos na economia e na vida das pessoas.

Estamos, se estamos, em que tipo de recuperação econômica? A V, com recuperação rápida? O que parece ter acontecido com os impressores de embalagens e etiquetas que fecharam o ano com um volume, em vários casos, maior do que os volumes do início do ano passado? A U, com uma lenta recuperação da economia? O que parece estar acontecendo na maioria dos países latino-americanos? Com as cadeias de suprimentos ainda lutando para se recuperar? A W, com uma segunda onda de contágio que leva a quarentenas de pessoas e empresas novamente? Como o visto em diferentes países da Europa e em cidades do Brasil e de outros países?

 Veja, eu fiz quase dez perguntas em poucas linhas.

 Quer dizer, sabemos que não sabemos muito neste momento.. O que sabemos é que há um esforço de muitos governos para tentar garantir vacinas para suas populações o mais rápido possível. Imunizar pessoas é a única boa resposta para esta difícil situação que vivemos. A única solução para a recuperação efetiva das economias. E isso, sabemos, possivelmente levará todo o ano de 2021.

Por outro lado, não podemos ficar parados, é claro. Temos que reagir e é isso que a maioria das gráficas vem fazendo desde o ano passado. Reagir.

Primeiro, tentar manter os clientes com os volumes de impressão que eles tinham antes da pandemia. E isso em muitos casos é menos do que eles tinham antes. Segundo, gerar novos produtos relacionados à adaptação de ambientes e pessoas em seus empregos, em lojas ou espaços públicos. As gráficas de maior sucesso são aquelas ligadas às cadeias produtivas de alimentos e medicamentos, principalmente embalagens e rótulos, como já dissemos. Mesmo assim, a produção de livros continua crescendo e a impressão comercial/promocional recuperou parte de seu volume.

As estatísticas mundiais ainda não estão completas. Smithers, da Inglaterra, estima que em 2020 houve uma queda no volume da produção gráfica entre 3,4% e 10,7% dependendo do país.

 Em outras palavras, 2020 foi um ano muito difícil, mas a indústria gráfica reagiu e em grande parte se adaptou e sobreviveu. 2021 será um pouco melhor, com um pouco mais de otimismo, com mais confiança à medida que a vacinação avança. E com alguma recuperação de volume em relação aos números de 2020.

 Mas sentimos que há mudanças no ar e que vão aumentar cada vez mais nos próximos anos. E essas mudanças se refletirão em nosso setor. Já estão, na verdade.

 As compras dos clientes mudaram e continuarão mudando. De negociações pessoais a negociações online, com senso de urgência em tudo. Tudo é para ontem, com tiragens  menores, sob encomenda, sem estoque. Que exigem respostas imediatas permitindo acesso rápido a produtos e suas definições. Isso demanda fornecedores integrados digitalmente, que reajam rapidamente, garantindo soluções e reproduções sob especificações restritas. Este posicionamento dos clientes gráficos é uma reação à mudança de consumidores que estão mais digitais, que procuram soluções à medida, rápidas, com uma boa experiência de compra, menos fiéis às marcas e mais informados.

Muitas empresas passaram a trabalhar com menos gente e, muitas vezes, com melhor produtividade. Vários processos de trabalho se tornaram digitais. E o processo de transformação digital continuará avançando em todos os lugares. Bem como o uso de inteligência artificial em tudo que lidamos e operamos. Ainda mais quando as redes 5G se tornam disponíveis, aumentando o que é chamado de internet das coisas.

Nesse sentido, diferentes empresas decidiram ir totalmente para as mídias digitais e buscar soluções em que não utilizem papel. Mesmo que percebam que, em suas comunicações, em algum momento, o uso do meio impresso é o mais conveniente e eficaz. Se eles não percebem, também cabe aos impressores mostrá-los. 

E esse é um ponto importante. O que fica claro é que o impressor, em geral, não sabe como promover ou divulgar o meio impresso e sua importância. E isso será muito relevante nos próximos anos. Em um mundo cada vez mais digital, a impressão é um diferencial. Principalmente aqueles impressos que integram o ambiente físico com o digital através de códigos QR, realidade aumentada e outros.

Da mesma forma, o tema da sustentabilidade ganha força. A busca por produtos que não agridam a natureza aumentará. Nesse sentido, o papel apresenta vantagens comparativas significativas, principalmente nas embalagens, ainda que o plástico não possa ser totalmente substituível no curto e médio prazo.

Velocidade, respostas, soluções para problemas de produção ou adaptação a novas demandas, integração com clientes, conectividade. 

São desafios que nosso setor já enfrenta e que serão mais intensos nos próximos anos. Para isso, os impressores terão que continuar buscando adequações para se adaptar a esse novo mundo que está se formando. Quais ajustes? Padronização de processos, automação da produção e uso de inteligência artificial nas vendas, planejamento, produção e controle de custos. Integração aos sistemas do cliente através da web to print  e outras soluções. Flexibilidade de produção: totalmente com impressão digital ou com mistura de offset, flexografia e outros processos com produção digital. Um pouco menos de volume, mas um valor unitário médio mais alto, justamente pela mudança nos processos de produção. 

O que experimentaremos em 2021 será um caminho para essas questões e ajustes. Gradual, mas em um caminho sem volta. Para o que viveremos adiante.

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